A FOTOGRAFIA COMO UM PRESENTE. FRUTO DO DESEJO, DO ACASO E DO ERRO

Minhas primeiras experimentações fotográficas se deram com uma câmera analógica 35mm automática. Ganhei o equipamento aos 11 anos de idade, um presente de meu avô que também era fotógrafo, e desde então a produção de imagens esteve associada ao meu cotidiano e à minha história de vida. Depois de quase 10 anos fotografando exclusivamente em digital, hoje a fotografia analógica ocupa um lugar de especial liberdade em meu trabalho. Constitui-se como um campo de experimentações em que o perfeccionismo técnico e o imediatismo das imagens são substituídos por uma abertura aos acidentes, erros e encontros da produção fotográfica. Em um mundo marcado pelo excesso e pela onipresença das imagens, em que grande parte dos profissionais vive uma ansiedade e uma angustia constantes pela competitividade do ramo, a fotografia em filme me permite construir imagens mais pessoais, que abarcam tempos e processos mais artesanais e subjetivos.

Assim, me interesso especialmente pelos procedimentos experimentais específicos à fotografia analógica: o uso de filtros de efeito, dupla-exposições, film-swap, processos de revelação alterada e uma pesquisa do tempo através da conservação e reutilização de filmes fotográficos. Faço a revelação caseira de meus filmes P&B, além de digitalizar todos minhas películas e ministrar oficinas introdutórias de fotografia, revelação e digitalização em 35mm.